sábado, 17 de dezembro de 2011

NAS MESAS DE NATAL ESTÃO SOBRANDO CADEIRAS...

   O fim do ano se aproxima e com ele, mais um Natal. E fiquei pensando: com as mudanças que ocorreram no mundo, e em minha vida, o Natal também foi mudando.  
Olhando as cadeiras sobrando ao redor da mesa, reportei-me à casa de meus pais, em tempos que já vão longe, e fui buscar no passado alguma coisa para resgatar esses momentos mágicos. Nem que sejam as lembranças da criança que fui e que muitas vezes parece que ficou lá adiante, mas quando eu procuro bem, continua muito viva dentro de mim.
Comentando com minha irmã sobre esse tema, ela me disse que era saudosismo. Não sou saudosista, nada disso. Às vezes lembro-me de coisas e falo disso, e como Neruda, “Confesso que vivi” e gosto de saber que vivi, recordando.
 Saudosista eu? Nem por isso...
Até os dez anos, o Natal tinha um gosto incrível de festa inigualável. Eu aguardava o ano inteiro por esse sonho e quando a noite chegava, meu coração quase explodia de felicidade! Tudo era maravilhoso na simplicidade da vida que levávamos!
A árvore na pequena sala de nossa casa era um arbusto plantado numa lata e as bolinhas coloridas eram tão delicadas e raras, que todo cuidado era pouco para não quebrá-las. Embaixo dela, alguns cartões de natal que recebíamos e guardávamos com especial atenção!
Num cantinho, armávamos um pequeno presépio de figurinhas desenhadas em papelão. Não havia neve, porque o algodão era muito caro e só era encontrado nas farmácias. Mas isso não constituía um problema, substituímos por sininhos de papel colorido. Nosso maior cuidado era com a estrela na ponta da “árvore”: tinha que ser brilhosa, afinal era o símbolo do nascimento do Menino Jesus!
 Toda a  história da “vida de Cristo”, eu havia aprendido no catecismo e não podíamos esquecer de destacar o  aniversário Daquele que nasceu para nos salvar!
Na nossa mesa nada de muito especial, mas minha mãe se desdobrava para fazer dela o centro da festa. Dela saia um aroma incrível de frango e pernil assados, maionese (última novidade em culinária), macarronada, tutu e pastel frito. O ponto alto eram as famosas rabanadas, o pão do céu!
Nesse encontro alegre e carinhoso, chegavam familiares, vizinhos, amigos... Era tanta gente que,...  na mesa faltavam cadeiras...
Lá pela meia-noite, os adultos iam para a missa do galo. Era a hora de dormir. Meu pai, com olhar misterioso, vistoriava os sapatinhos atrás da porta do quarto. E quando  ia me deitar, tentava me manter acordada para pelo menos daquela vez, ver Papai Noel depositando o tão almejado presente.
 E dormia, com certeza, embalada pelos anjos e o Menino Jesus!
 Ao acordar bem cedinho, na manhã de Natal, era uma alegria só: corria para o meu sapatinho para ver se Papai Noel havia se lembrado de mim. Eu tinha algumas dúvidas, pois havia feito algumas travessuras durante o ano. Por conta disso, escrevi várias cartas pedindo perdão e prometendo  ser uma boa menina.
Bem, pelo visto, Papai Noel me perdoara, pois meu presente lá estava! Depois de desembrulhá-lo, corria para a rua onde a criançada compartilhava bonecas, carrinhos, bolas, panelinhas, etc.
Os presentes geralmente eram pequenos e baratos, pois na minha rua, as famílias não tinham muitos recursos.
Quase sempre, eu e minha irmã ganhávamos bonecas simples, mas recheadas de amor, partilha e esperança! Não tinham cabelos como eu queria, mas tinham sapatinhos!
Anos mais tarde, soube que papai Noel não existia, que era uma história mal contada. E só me convenci e caí na real, quando percebi que Papai Noel dava os melhores e mais caros presentes aos filhos dos ricos e que muitas crianças pobres nem sequer recebiam. Se Papai Noel era o “bom velhinho” como é que ele podia fazer isso? Então, era melhor que ele não existisse mesmo!
Foi triste, mas nada que pudesse me deixar traumatizada no futuro. Aliás, naquela época, o futuro não tinha a menor importância para mim, o que eu mais queria estava presente: a família, os vizinhos e minhas coleguinhas.
Apesar de todas as comemorações, o Natal, não era uma festa que passava, não era um ano que acabava, era Jesus nascia .
Hoje, os natais não são os mesmos. A árvore é de plástico reluzente, as velas são ligadas nas tomadas, as festas se tornaram grandes promoções comerciais com  anúncios  cheios de ding dings, blen, blén, bléns, pisca-piscas.Mas o que querem mesmo é nosso 13° !
A cada ano, percebo que alguns enfeites se quebram, algumas tradições diminuem ou se acabam como se estivessem antecipando seu desaparecimento e anunciando a sua condição de memória futura.
Nas manhãs de Natal, as crianças se fecham em suas casas com seus celulares “faz-de-tudo”, seus vídeo-games e outras parafernálias eletrônicas. Sozinhas curtem o presente que pode até ser pequeno, mas que é de grande valor monetário.
 Quando a festa de Natal acaba, é mais uma festa que acabou, é mais um ano que passou.
 Recebemos mensagens natalinas via facebook, twitter, Orkut, MSN, celulares. Vemos e conversamos com familiares e amigos pelo skype  e... nas mesas de Natal estão sobrando cadeiras...
Mas nem tudo está perdido, ainda existem pessoas – não me atrevo a dizer que é a maioria – que se lembram do Aniversariante e fazem pelo menos uma prece silenciosa.
Desejo a todos independente das circunstâncias, um Natal de humanas e merecidas alegrias mas, acima de tudo um toque de alegria pura e transcendental comemorada pela presença de Jesus  em sua mesa: o mais importante alimento para seu corpo e sua alma!
Fique na Paz!
                    Dilene Germano

 


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MINHA CACHORRINHA DIANA




 “ O dinheiro compra um belo cão, mas não o balançar de sua calda.” ( Josh Biilings)

Amizade não se vende e nem se compra. Esse conceito é verdadeiro entre pessoas. Mas em se tratando de amizade entre humanos e animais de estimação, amizade também se compra. E foi justamente por esses dias que meu marido comprou  um casal de pavão e um  casal de cães da raça “ Blue Heeler”, cães boiadeiros para levar para o sítio..

Há muito tempo que eu queria uma cachorrinha, mas havia uma grande resistência de sua parte. A sabedoria popular sempre disse: o mundo dá  muitas voltas. E é verdade, em cada volta, algo pode mudar. E numa dessas, meu  marido aceitou a cachorrinha para ficar em casa.

E assim, chegou a Diana. Dócil, já é minha amiga, inteligente, aprende rápido ! E como amiga diferente, eu procuro respeitá-la o máximo possível como animal que é. Não gosto de enfeitá-la com pedrinhas, laçinhos, roupinhas, etc, coisas assim, que cabe aos humanos. Prefiro manifestar minha amizade de outras formas, através do cuidado e de muito amor. 

É uma frase batida e antiga, mas é muito verdadeira: o cão é o melhor amigo do homem. Muitas vezes um animal de estimação é muito mais “ gente” do que muita “gente” por aí.... A irracionalidade dos bichos , vale mais a pena que a racionalidade de alguns humanos.

Infelizmente, grande parte das relações entre o homem e o cão, não decorre da fidelidade animal e muito menos da memória remanescente de 15 mil anos, iniciada pela fêmea humana do Paleolítico Superior.

Éramos ainda feras e já nos acompanhavam “ animais de estimação” na longa jornada rumo ao desenvolvimento. Falo em desenvolvimento e me pergunto se realmente nos evoluímos. A mesma inteligência que nos faz diferentes da Diana também não respeita a natureza, mente, trapaceia, engana, finge, faz guerra, fabrica bombas, mata por matar.

O  “pessoal” da Diana, não. Eles se defendem . Ou tentam. Quando atacam, não o fazem deliberadamente. Não são predadores, não possuem esse instinto.
.
O convívio com um cão pode mudar nossa vida para muito melhor. Ele interage conosco  oferecendo carinho , atenção, e muitos benefícios físicos, sociais e emocionais. Por isso, quem tem um cãozinho ou qualquer outro animal de estimação torna-se responsável pelo bem- estar desses bichinhos.

Hoje, passado algum tempo,  com muita tristeza, escrevo o resto de minha história com Diana. Na vida precisamos  fazer escolhas. E devido a doença e os cuidados com minha mãe, não havia condições de Diana permanecer em minha casa. Então, ela foi levada para o nosso sítio, onde eu poderia vê-la sempre que possível .

 Era sempre uma festa na chegada e uma tristeza na saída, de ambos os lados. Como ela me fez falta! Companheira, amiga amorosa, terapeuta!

E agora, Diana não mais existe, foi mordida por uma cobra venenosa e não teve jeito. Foi difícil! Estou sentindo muito a falta dela, principalmente de sua fidelidade e lealdade que fazem parte do amor incondicional do fiel.Coisa de melhor amiga mesmo!

O que acho importante é que o amor de um cão é incondicional. E acredito que a minha Diana vai sempre estar do meu lado... em qualquer situação.

Você foi muito bem vinda, nosso convívio não durou muito, mas sua lembrança permanecerá em meu coração!

Dilene Germano




domingo, 20 de novembro de 2011

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


“Nem tudo que é enfrentado pode ser modificado, mas nada pode ser modificado se não for enfrentado.” (James Balwin)

Estamos comemorando mais um dia de reflexão e também de celebração da diversidade e da luta pela igualdade, aproveitando a força da data de 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra.
 Esse dia evoca a figura do herói negro Zumbi, cuja especificidade histórica, nos faz usar o passado para falar das lutas do presente, num processo do qual fazemos parte, de uma maneira ou de outra e no qual interferimos, por ação ou por omissão. Ao se falar em Zumbi, fala-se em liberdade sonhada pelos negros de Palmares, sonhada por tantos, ainda hoje, negros, brancos, idosos, deficientes, homossexuais, índios e mulheres de tantos Palmares. Quantos ainda são aprisionados na exclusão, não tendo os seus direitos básicos garantidos ( alimentação, educação, trabalho, moradia, saúde, respeito)?
 Temos também que nos conscientizarmos que a questão racial no Brasil é um problema que precisa ser enfrentado principalmente porque nossa sociedade é multirracial e a  maioria dela tem grande quantidade de melanina na pele.É costume dizer que por aqui, não há racismo como nos Estados Unidos e na África do Sul, mas não podemos esquecer que há diferenças sociais , econômicas e estruturais e seculares para as quais os remédios não são eficazes.A segregação gira em torno justamente do binômio financeiro/cor da pele  Alguns passos já foram dados, mas os resultados ainda são poucos. É preciso acabar com a ética conservadora e desigualitária dos interesses enraizados de convicções escravocratas que ainda mantêm expressões veladas ou ostensivas contra a ascensão por menor que seja, dos negros na escala social e econômica ( com raras exceções para atletas e artistas).
  A cidadania negra precisa ser resgatada de fato e para isso será necessário educar para a diferença, para que todos possam, por direito ter aquilo que lhes pertence: a inclusão no contexto socioeconômico.
   É possível sonhar e lutar por um mundo melhor, mais justo, mais igualitário ou será esse mundo uma utopia?
   É possível lutar sim, é possível ter em mente uma utopia para o futuro da humanidade, pois ela é o combustível para abastecer os sonhos de hoje em nossa caminhada.E nessa caminhada,  nunca estaremos sozinhos. Veja só quantos já passaram por ela!
  “ Imagine  todas as pessoas repartindo tudo com todos.” (John Lennon.)
  “ Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio e a sua morada será sempre o coração do homem.” ( Thiago de Melo)
   “ Sonho com o dia em que os homens levantar-se-ão e compreenderão finalmente que são feitos para viverem como irmãos.” (Nelson Mandela)
     “Eu tenho um sonho de que os filhos de descendentes de escravos e os filhos de descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto a mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus filhos viverão um dia em uma nação que não os julgará pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo do seu  caráter.
      E quando isso acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar em toda moradia, em todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, católicos e protestantes, poderão unir as mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro.” ( Martin Luther King)
      Esse mundo maravilhoso sonhado por um inglês, um brasileiro, um africano e um norte-americano, um dia chegará. Só que esse dia não virá por um efeito de mágica. Surgirá por obra da educação, do amor da esperança. Surgirá quando após a revolução da ciência e da técnica que não está fazendo a humanidade feliz, comece com a revolução dos corações. Aí sim, nos libertaremos da prisão mental do preconceito. Seja qual for.

Fique na paz!
                             Dilene Germano



terça-feira, 8 de novembro de 2011

SOMOS FEITOS DE PÓ DE ESTRELAS

Para todos aqueles que tiveram uma grande perda
Li e passo este trecho de um  texto de Lya Luft:
“ Primeiro, não queremos perder.
É lógico não querer perder.
Não deveríamos perder nada. Nem saúde, nem afetos, nem pessoas amadas.
Mas a realidade é outra. (...)
Segundo: perder dói mesmo. Não há como não sofrer. É tolice dizer não sofra, não chore.
A dor é importante. O luto também.
Terceiro:
Precisamos de recursos internos para enfrentar a tragédia e a dor. A força decisiva terá de vir de nós, de onde foi depositada nossa bagagem. Lidar com a perda vai depender do que encontramos ali.(...)
Por mais devorador que seja, o mesmo sofrimento que derruba , faz voltar a crescer.
(...)
Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ela gostaria que eu vivesse: bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias possíveis e projetos até impossíveis.”

Nós não somos imortais,  e é bom aceitarmos essa  situação e entendermos que tudo nessa vida passa.
Nossa passagem por aqui é efêmera. É claro que sabemos disso, pois somos mortais. Mas quem não se assusta com esse pensamento angustiante e ameaçador, mas ao mesmo tempo tão simples , tão óbvio e tão sábio?
E acabamos nos esquecendo que a nossa vida é só um momento, é um “ átimo” de segundo dentro da escala dos mistérios do universo. E isso acontece porque ficamos muito envolvidos com nosso trabalho, nossos sonhos, nossas lutas. Daí, o choque.
 Minha mãe se foi. Mas quando eu sentir  saudade e quiser falar com ela, falarei com Jesus e ela  ouvirá. Tenho certeza de que ela está com Ele o suficiente para continuar sendo útil a  mim, lá onde estiver.
Tenho muita vontade de escrever sobre ela, mas vou dizer somente isso:  Foi minha amiga,exemplo de garra e luta, acreditou em mim e sempre me quis mais perto de Deus e de Jesus Cristo. Obrigada por tudo!
E já que somos feitos do “ pó de estrelas”, e da vida nada se leva  é bom lembrar de  carregar um pouco de luz e brilho que  elas possuem.
Se a tristeza mora na falta de alguém que se foi, com um sorriso nos lábios, temos a lembrança para matar a saudade...
Fique na Paz!
                        Dilene Germano


TEMPO DE DEUS


Cuidar de alguém que se ama. Tem coisa mais difícil do que ver um filho chorando de dor ou olhar para o corpo definhado de uma mãe? Dói! Fiquei pensando nos comentários de algumas pessoas que a vêem nesse estado vegetativo. As perguntas mais comuns que me fazem é: -  mas porquê? Não seria melhor que Deus a levasse? No primeiro momento, minha razão começa a martelar, colocando aqueles “ grilinhos” e me bate uma dúvida, uma fraqueza diante de tanto sofrimento, uma vontade de parar por aqui...
Perguntaram ao Papa Bento XVI  se uma pessoa em estado vegetativo ainda possuía alma. Ele respondeu que sim através de uma metáfora: um violão que tem suas cordas arrebentadas, não tem mais os acordes perfeitos, mas mesmo assim não perde sua essência, não deixa de ser um violão, se tivermos cuidado com ele. O amor que se dá a uma pessoa nesse estado, com certeza penetra em sua alma, que é a essência da vida.
 E logo, o coração e  a confiança que tenho na vontade e no tempo de Deus me fazem levantar, acreditar e continuar cuidando. De qualquer forma ou maneira ...é minha mãe!! E não vou pedir isso a  Deus. Pode ser egoísmo de minha parte? Não sei. Mas é o que  dita  meu coração dolorido.
Na verdade, aquele corpo outrora saudável, forte, ágil e batalhador, hoje é simplesmente um esboço do que já foi, realmente não é fácil de  ver e muito menos lidar. A mente sumiu, não existe mais identidade. Também é aterrador!
Mas diante desse quadro triste, vem a esperança . Eu acredito nisso: o corpo e a mente acabam, se definham porque eles não vão se encontrar com Deus, mas o espírito não. Ao contrário, ele está se aperfeiçoando, se preparando para encontrar com o Senhor, só Ele sabe quando será a hora desse encontro. E esse encontro  aconteceu.
Ela está pertinho Dele.  Creio nisso e agradeço.
Cuidar não é nada fácil – mudamos nosso cotidiano junto com o doente, sofremos as mesmas dores, ficamos ansiosos e preocupados e muitas vezes temos que ser saco de pancada nas decisões que temos que tomar. É difícil cuidar! Ainda mais passando por várias etapas num período de 13 anos ou mais , quando já não temos a leveza e a agilidade de uma idade mais jovem.
E tem gente que escolhe este árduo trabalho como profissão!Uma  profissão que todos nós já tivemos de experimenta-la em algum momento da vida e sabemos o quanto é importante . Quase missão. Devoção. E nessa minha lida, tenho aprendido muito com eles.
São as enfermeiras e enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas profissionais da saúde , mas antes de tudo, profissionais de fé, de amor ao próximo, de carinho e compreensão. Peço a Deus que os protejam sempre e que me empreste , quando necessário,um pouco da paciência e da competência deles para viver situações onde o cuidado é imprescindível.
Mas existe também a profissão que considero talvez a mais nobre de todas que exista...Todos nós  queremos ser um pouquinho Deus em determinadas horas. Mas os médicos são mais , porque eles tem nas mãos a missão de salvar vidas!São verdadeiros super-heróis onde a capa vermelha dá lugar ao jaleco branco que veste o herói que tem a cura para qualquer dor e qualquer manha. Suas armas tem força suficiente para devolver a um rosto triste, aquele sorriso da alma. Tem super-poderes suficientes para conhecer a linguagem do corpo e ouvir aquilo que um coração cansado tem a dizer.
No entanto, médicos tem uma vida bastante sacrificada. Estudam anos a fio e nunca podem parar de se atualizar. A medicina avança a passos largos. Novos medicamentos, vacinas e tratamentos são descobertos a cada dia. Uma simples gripe que matava milhões, hoje em dia é curável graças aos esforços desses profissionais que quase não tem férias, hora certa para descansar e nem dia de folga. E ainda tem gente que em sua insignificância e futilidade se julga celebridade!
Mas todo sacrifício é recompensado, com certeza, quando salvam uma vida. Você já imaginou a emoção de ouvir um: muito obrigada, doutor (a), o (a) senhor (a) salvou a minha vida!
Ou então, obrigado doutor (a) , o (a) senhor (a) fez tudo o que podia com amor e dedicação, mas diante do tempo de Deus temos que nos curvar, pois somente Ele é onipotente!
OBRIGADA  A DEUS POR TER ME DADO SABEDORIA NAS PROVAÇÕES E ME MOSTRADO O QUE FAZER!
OBRIGADA À EQUIPE DA LIFECARE PELA ASSISTÊNCIA, DEDICAÇÃO, AMOR E COMPETÊNCIA ! À DRA ROBERTA PICANÇO (UM LINDO ANJO DE LUZ), AO FISIOTERAPEUTA DR. HUGO, AOS ENFERMEIROS THIAGO MALAFAIA E MATHEUS, Á FONOAUDIÓLOGA SILVIA,  Á PSICÓLOGA ÉRICA MARQUES, ÁS NUTRICIONISTAS LUDMILLA E LISBETH, ÁS TÉCNICAS DE ENFERMAGEM ELAINE E INDIARA.
LINDOS EM TODAS AS FORMAS! VOCÊS FORAM MAIS DO QUE PROFISSIONAIS , FORAM AMIGOS DEDICADOS!
OBRIGADA A TODOS OS PROFISSIONAIS DO CTI TERCIÁRIO DO HOSPITAL SÃO JOSÉ DO AVAI PELA ASSISTÊNCIA E  PELO PRIVILÉGIO DE PODER ACOMPANHAR MINHA MÃE NO PERÍODO DE INTERNAÇÃO.
OBRIGADA ÁS MINHAS AMIGAS E COMPANHEIRAS  DE LUTA, GARRA, AMOR E DEDICAÇÃO TEREZINHA, AMÉLIA, MARLENE, PATRÍCIA, EDMAR,VANDA E OUTROS, QUE AINDA ESTÁO CUMPRINDO O MAIOR ATO DE AMOR: CUIDAR DE UM ENTE QUERIDO. NESTA HORA QUERO DIZER PARA VOCÊS: TODO AMOR E CUIDADO VALEM A PENA! EU NÃO PERDI MINHA MÃE, EU CAMINHEI COM ELA AO SEU ENCONTRO COM DEUS! CONTINUEM ...APESAR DE MUITOS NÃO ACREDITAREM...
.OBRIGADA AO DR ALBINO PELA COMPETÊNCIA E DEDICAÇÃO DURANTE ANOS.
OBRIGADA AOS FISIOTERAPEUTAS DR ROGÉRIO E DRA ALINE CNOP PELO AMOR TRANSMITIDO POR SUA MÃOS.
OBRIGADA AO MEU MARIDO SETE MONTEIRO PELA PACIÊNCIA , COOPERAÇÃO E COMPREENSÃO POR TER FICADO MUITAS VEZES EM SEGUNDO PLANO.
OBRIGADA AOS MEUS FILHOS QUE ME DERAM CONDIÇÃO DE PÓDER ME DEDICAR POR INTEIRO Á MINHA MÃE.
OBRIGADA Á MINHA IRMÃ MARILENE QUE SEMPRE ME APOIOU, AJUDOU E TAMBÉM CUIDOU DE TODAS  AS FORMAS POSSÍVEIS DE NOSSA MÃE.
OBRIGADA ÀS MINHAS COMPANHEIRAS E AMIGAS GEILDA E LÚCIA PELA LONGA JORNADA EM QUE ME AJUDARAM A ABRAÇAR ESSA CRUZ .
DEUS HÁ DE RECOMPENSAR A CADA UM DE VOCÊS!
                         ESTOU EM PAZ!

                                                       Dilene Germano
                                                                        



sábado, 22 de outubro de 2011

MANHÃ CHUVOSA

Manhã de chuva. Não aquela chuva anunciando enchente, mas aquela chuva que lava a alma e deixa a vida mais limpa, preparada para receber boas coisas.
Água do céu que limpa o desânimo.
Água da mãe natureza que teima em fazer nascer a flor no solo árido.
Chuva que não castiga, só dá uma mãozinha às árvores, fazendo com que elas possam exalar o cheiro da natureza na cidade.
Chuva boa que anuncia os tempos de sol, de verão.
O tempo abafado ganha uma brisa gostosa, com cheiro de mato novo.
Parece poesia? È, na verdade, só um outro jeito de ver pela janela mais um dia .
Olhe pro céu, olhe pro alto  e você verá poesia na chuva.
Porque se você olhar reto e enxergar a rua, vai parecer que  é feito de ferro e quando chove, enferruja. Bastou umas gotinhas e... pronto...ai do meu cabelo!!
Quer saber?!... Esta manhã chuvosa, vai ser muito, muito gostosa...
Fique na paz!
                Dilene Germano

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MEU OLHAR DE “VÓ” PARA YURI
Mesmo distante, olho para você Yuri, neste dia e em todos os outros e vejo a riqueza que a vida me trouxe, embora saiba que não seja meu, e sim do mundo.
Hoje é o dia da criança, uma data instituída, e eu não quero poemas ( não tenho competência para isso), músicas ou frases feitas, para “olhar” você.
Não vou e nem posso olhar para você como mãe, mas como “vó” que é a maneira carinhosa de você me chamar.
Outro dia, li uma frase que dizia: “uma avó é uma mãe com açúcar.”
Realmente, como avó, olho para você de um jeito diferente, o que não significa mais ou menos amor do que senti por meus filhos, mas um olhar que trás mais compreensão, mais flexibilidade, mais permissão, mais disponibilidade. Deixo você fazer coisas que não permiti que meus filhos fizessem. Por que é que eu deixo você , por exemplo, dormir entre eu e seu avô, se não permiti isso aos meus próprios filhos? Por que acho seus desenhos maravilhosos, criativos e perfeitos? Eles só não estão numa Exposição de Arte porque você não quer, não é mesmo? Michelângelo que se cuide, pode perder o pódio para você, com certeza!!!
Não justifico essa diferença alegando que hoje estou aposentada, tenho mais tempo livre, sou velhinha (ainda mais essa) e não tenho mais nada para fazer. Pelo contrário! Continuo trabalhando (e muito), não obro mão de uma boa leitura, quando possível gosto de dançar, faço caminhada, pilates, navego na internet, tenho amigos no facebook, cudo de mim e de quem precisa, tenho contato com coisas novas e por aí vai...Não me sinto aposentada da vida.
É que meu olhar de “vó”, é baseado na predominância de amar e não na responsabilidade de colocar limites, apenas procuro respeitar as regras estabelecidas por seus pais.
Então, meu olhar para você, Yuri, é “ olhar com mel”, é um olhar com mais segurança e maturidade. É um olhar que reflete um estágio diferente de minha vida , talvez um olhar de quem vai se despedindo de uma fase para voltar e ser criança na próxima.
Yuri, você é um presente que me faz esquecer que outras crianças amadas se foram, amenizando a saudade.
Onde estão aquelas primeiras crianças amadas?
Estão nos adultos que são meus filhos. Adultos que tem sua vida, que tem sogro, sogra, amigos,esposa, emprego, casa, responsabilidades, contas a pagar, problemas a enfrentar... 
Então, você veio trazendo alegria e a sensação ilusória de que não estou envelhecendo.
Você é percebido como um presente e uma chance de exercer a bondade como uma pessoa que ganhou em sabedoria e tranqüilidade.
Olhar para você, é olhar minhas crianças que partiram, sentir que elas se foram, mas o amor , este jamais se foi, pelo contrário, se expandiu.
Que Deus o abençoe sempre. Um beijo bem açucarado da “ vó”,
                                                          Dilene Germano